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SpaceX anuncia internet gratuito via Starlink na Venezuela após prisão de Maduro, mas custo de equipamentos gera críticas
A SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, anunciou neste domingo (5) que vai oferecer acesso gratuito ao serviço de internet via satélite Starlink na Venezuela até o início de fevereiro. A decisão ocorre em meio a um cenário de forte tensão política e militar no país, após ataques aéreos dos Estados Unidos em território venezuelano e a prisão do presidente Nicolás Maduro, que foi levado a Nova York para responder a acusações de conspiração narco-terrorista.
O comunicado foi divulgado pela companhia na rede social X. Segundo a empresa, “o Starlink fornecerá acesso gratuito de banda larga ao povo da Venezuela até o dia 3 de fevereiro, garantindo conectividade contínua”. A iniciativa recebeu apoio direto de Elon Musk, que compartilhou a publicação com a mensagem: “Em apoio ao povo da Venezuela”.
Conectividade em meio ao conflito
A oferta de internet gratuita surge em um momento delicado para o país. Na noite de sábado (4), instalações civis e militares em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira foram atingidas por bombardeios das forças americanas. As operações culminaram com a captura de Maduro, que permanece detido em um centro federal dos Estados Unidos, aguardando julgamento.
Apesar do anúncio da SpaceX ter sido recebido com expectativa por parte da população, a medida rapidamente gerou críticas e frustração devido às dificuldades práticas para acessar o serviço.
Barreiras técnicas e custo elevado
Embora o acesso à internet não tenha custo mensal durante o período anunciado, os usuários precisam adquirir um kit de hardware, composto por antena e roteador, que é vendido separadamente. De acordo com informações divulgadas pelo Grok, assistente de inteligência artificial integrado ao X, o equipamento custa cerca de 500 dólares.
O valor é considerado inviável para a maioria dos venezuelanos. Para dezembro de 2025, o salário mínimo no país girava em torno de meio dólar por mês, reflexo da grave crise econômica que atinge a Venezuela há anos.
“É praticamente impossível para um venezuelano comprar isso”, comentou um usuário em resposta ao anúncio da empresa. O próprio chatbot da plataforma reconheceu que o preço do equipamento representa um “desafio significativo”, sugerindo que interessados busquem alternativas de financiamento fora do país.
Tensão diplomática nas redes sociais
A situação na Venezuela também provocou um duro embate diplomático nas redes sociais entre Elon Musk e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. O chefe de Estado colombiano manifestou “profunda preocupação” com as explosões e atividades militares no país vizinho, pedindo a desescalada da violência e o respeito à paz regional.
Musk, que atua como conselheiro sênior do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu de forma controversa ao apelo de Petro com a frase: “¿Plata o plomo?”.
A expressão, que significa “dinheiro ou morte”, ficou mundialmente conhecida por ter sido usada por Pablo Escobar, líder do Cartel de Medellín, para ameaçar autoridades colombianas nas décadas de 1980 e 1990. Quem não aceitava subornos era executado.
Petro reagiu à declaração e rejeitou qualquer associação com violência. “Nem plata nem plomo, amigo. Amor e liberdade é o que nos permite construir uma humanidade melhor”, afirmou o presidente colombiano.
Starlink e conflitos internacionais
Esta não é a primeira vez que o Starlink se envolve em cenários de instabilidade geopolítica. O sistema de internet via satélite teve papel estratégico na Ucrânia, após a invasão russa, ao garantir comunicações em regiões onde a infraestrutura tradicional foi destruída.
Na Venezuela, no entanto, o impacto da iniciativa da SpaceX ainda é incerto. Enquanto o acesso gratuito à internet é visto como um alívio potencial em meio ao caos político, o alto custo dos equipamentos limita o alcance da medida, deixando grande parte da população novamente à margem da conectividade digital.
