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O real e o Ibovespa tiveram um dia de forte valorização após o estresse da sessão anterior, movimento sustentado pela divulgação de um dado de inflação considerado benigno no Brasil. O IPCA divulgado pela manhã indicou inflação abaixo do teto da meta do Banco Central para 2025, fixado em 4,5%, com projeção em 4,4%, o que reforçou a percepção de que a autoridade monetária pode abrir espaço para cortes na taxa básica de juros antes do previsto.
O cenário de inflação mais controlada tende a favorecer os ativos de risco no mercado doméstico, impulsionando tanto a Bolsa quanto a moeda brasileira. Nesse contexto, o dólar perdeu força frente ao real e encerrou a segunda sessão da semana em queda de 0,95%, cotado a R$ 5,531.
No exterior, o ambiente também foi marcado por maior apetite ao risco. O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 4,3% no terceiro trimestre, superando com folga a expectativa do mercado, que era de 3%. O dado reforça a resiliência da maior economia do mundo, embora analistas ponderem que o número é menos confiável do que o habitual, em razão das dificuldades de coleta e análise durante o período de paralisação parcial do governo americano.
Ainda assim, o resultado mais forte do PIB americano desafiou as apostas em cortes mais agressivos da taxa de juros nos Estados Unidos. Com isso, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (yields) avançaram no mercado de renda fixa, enquanto segmentos mais sensíveis aos juros, como as ações de empresas de menor capitalização (small caps), apresentaram maior volatilidade, apesar de terem registrado forte alta na sessão anterior.
Segundo a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, a combinação entre inflação doméstica mais benigna e dados robustos da economia americana ajudou a sustentar o movimento positivo nos mercados, ainda que o cenário externo siga exigindo cautela dos investidores.
A manutenção dos preços sob controle é vista como um sinal positivo para a autoridade monetária brasileira. De acordo com Zogbi, o cenário abre caminho para uma eventual flexibilização da política monetária.
“Preços controlados podem abrir espaço para cortes nas taxas de juros mais cedo que o esperado no Brasil, o que seria benéfico para os ativos de risco no mercado doméstico”, afirmou.