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A estratégia dos Estados Unidos para conduzir a transição política na Venezuela está baseada em uma série de intervenções que priorizam a estabilização e o controle econômico como instrumentos centrais para moldar o futuro do país sul-americano. A explicação foi apresentada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante audiência no Congresso dos EUA.
Rubio justificou a política de pressão sobre o regime venezuelano a partir de um princípio fundamental. “O primeiro passo é a estabilização do país. Não queremos que ele mergulhe no caos”, afirmou o secretário aos parlamentares. Dentro dessa lógica, a chamada “quarentena” imposta à Venezuela é vista como um mecanismo decisivo. “Parte dessa estabilização, e a razão pela qual entendemos e acreditamos que temos a maior influência possível, é a nossa quarentena”, declarou.
A aplicação imediata dessa estratégia já se refletiu em novas apreensões marítimas. “Como vocês viram hoje, mais dois navios foram apreendidos. Estamos no meio desse processo e, de fato, prestes a concluir um acordo para tomar todo o petróleo que eles têm, o petróleo que está retido na Venezuela”, explicou Rubio.
Segundo o secretário, trata-se de uma operação sem precedentes. “Vamos extrair entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo. Vamos vendê-los no mercado a preços de mercado, e não com os descontos que a Venezuela vinha recebendo”, afirmou. Rubio destacou ainda que os recursos arrecadados serão administrados sob supervisão internacional, com foco na transparência e no benefício direto à população. “Esse dinheiro será gerido de forma que possamos controlar sua distribuição para beneficiar o povo venezuelano, e não a corrupção ou o regime”, ressaltou.
De acordo com Rubio, a segunda etapa do plano será a de “recuperação”, voltada à reintegração da Venezuela ao mercado global. “Essa fase consiste em garantir que empresas americanas, ocidentais e de outros países tenham acesso justo ao mercado venezuelano”, explicou. Paralelamente, o secretário anunciou a promoção de um processo de reconciliação política. “Um processo de reconciliação nacional começará na Venezuela para que as forças de oposição possam receber anistia, ser libertadas da prisão ou repatriadas, e iniciar a reconstrução da sociedade civil”, afirmou.
A estratégia prevê ainda uma fase final voltada à consolidação da mudança política interna. “E a terceira fase, naturalmente, será a transição. Parte dela ocorrerá de forma sobreposta às demais. Já descrevi isso em detalhes”, concluiu o secretário de Estado.
A queda de Maduro
Os Estados Unidos realizaram, nas primeiras horas do sábado, 3 de janeiro, uma missão para retirar o ditador Nicolás Maduro do poder na Venezuela. Como resultado da operação militar, Delcy Rodríguez, vice-presidente do regime, assumiu interinamente a administração do governo chavista.
A nomeação de Rodríguez, com o aval de Washington, surpreendeu inicialmente setores da oposição venezuelana, especialmente apoiadores de María Corina Machado. No entanto, o governo norte-americano esclareceu que irá monitorar de perto o processo de transição e trabalhar em coordenação com Rodríguez para garantir o cumprimento da agenda estabelecida e evitar o colapso do país.
As declarações de Marco Rubio após sua ida ao Congresso — onde detalhou todo o processo em curso na Venezuela desde o último sábado — deixaram claro o roteiro a ser seguido. Segundo ele, o acompanhamento constante das ações de Delcy Rodríguez e de seus aliados será fundamental para assegurar a transição iniciada com a captura de Maduro, que compareceu a um tribunal de Nova York na segunda-feira para ouvir as acusações de narcoterrorismo que pesam contra ele.