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A presença do presidente da França, Emmanuel Macron, no Fórum Econômico Mundial de Davos foi marcada por um gesto incomum: o chefe de Estado apareceu usando óculos escuros de aviador, com lentes espelhadas, e com um visível avermelhamento no olho direito, resultado de um derrame ocular. Embora a causa seja médica — e descrita pelo próprio presidente como “totalmente inofensiva” —, o episódio ganhou contornos simbólicos em meio ao aumento das tensões internacionais e acabou repercutindo tanto em ambientes informais quanto institucionais.
Desde a semana passada, por orientação médica, Macron passou a usar óculos escuros em compromissos oficiais, que incluíram visitas à base aérea de Istres, no sul da França, e reuniões no Palácio do Eliseu.
Na terça-feira, ele manteve a proteção ocular ao participar do encontro em Davos, reforçando a imagem de um líder resiliente em um cenário global adverso. Segundo uma fonte próxima ao presidente, “ele está usando os óculos por conta de fotossensibilidade, enquanto se resolve o problema menor mencionado na semana passada”.
O próprio Macron decidiu comentar publicamente sua aparência, afastando qualquer sinal de constrangimento. Em discurso dirigido às Forças Armadas francesas, afirmou: “Por favor, desculpem a aparência feia do meu olho. Não é nada grave”. Em tom irônico, acrescentou: “Basta ver nisso uma referência involuntária ao ‘Olho do Tigre’… Para quem entender a referência, é um sinal de determinação”. A fala remete tanto à famosa canção da banda Survivor, popularizada no filme Rocky III, quanto à ideia de perseverança — e até à figura de Georges Clemenceau, símbolo da firmeza francesa durante a Primeira Guerra Mundial.
O tom descontraído contrastou com a gravidade dos temas tratados por Macron em Davos. O presidente alertou que o mundo atravessa um momento crítico: “Estamos nos aproximando de um mundo sem regras”, disse, ao descrever um cenário em que “o direito internacional é atropelado e a única lei que parece valer é a do mais forte”.
Sem citar diretamente Donald Trump, Macron reagiu a ameaças comerciais e desafios geopolíticos vindos de Washington. Criticou o que classificou como uma competição dos Estados Unidos voltada a “subordinar a Europa”, por meio de acordos comerciais considerados “inaceitáveis”, tarifas punitivas e pressões estratégicas sobre territórios sensíveis, como a Groenlândia.
O apelo do presidente francês à União Europeia foi firme: ele defendeu o uso de todas as ferramentas disponíveis para proteger os interesses econômicos e de segurança do bloco diante de um ambiente internacional cada vez mais volátil e hostil.
No contexto de seu discurso de Ano-Novo às Forças Armadas, Macron também traçou os principais desafios para o Exército francês em 2026, entre eles a aceleração do processo de rearmamento, a manutenção do apoio à Ucrânia e a decisão de enviar tropas à Groenlândia como gesto de apoio à Dinamarca.