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Um incêndio de grandes proporções atingiu nesta sexta-feira (13) a Refinería Ñico López, em Havana, mobilizando equipes de emergência e provocando uma densa coluna de fumaça preta visível de diversos pontos da capital cubana.
De acordo com o Ministerio de Energía y Minas de Cuba (MINEM), o fogo começou no meio da tarde em um armazém da instalação e foi controlado pouco depois. As autoridades não informaram as causas do incidente e não houve registro de feridos ou mortos.
A refinaria Ñico López, uma das três existentes no país, está localizada próxima a áreas densamente povoadas e já foi alvo de alertas por problemas técnicos acumulados e impactos ambientais na baía de Havana. Nacionalizada em 1960, a unidade processa petróleo nacional e importado, mas enfrenta limitações operacionais agravadas pela crise energética que atinge a ilha desde meados de 2024.
O episódio ocorre em um momento especialmente delicado para a economia cubana. Desde janeiro, os Estados Unidos intensificaram restrições energéticas, interrompendo o envio de petróleo venezuelano e ameaçando impor tarifas a países que forneçam combustível à ilha. A escassez de divisas também tem dificultado a importação de combustíveis, enquanto especialistas apontam a ausência de navios petroleiros internacionais nas últimas semanas.
Diante do agravamento da crise, o governo implementou medidas emergenciais, como redução do horário em escolas e universidades, cortes na jornada de trabalho, diminuição do transporte público e limitação na venda de combustíveis. Hospitais também tiveram o quadro de funcionários reduzido por falta de recursos.
A Unión Eléctrica de Cuba (UNE) informou que estão previstos apagões simultâneos em toda a ilha, com impacto estimado de até 57% da população nos horários de maior demanda. A capacidade de geração prevista é de 1.361 megawatts (MW), diante de uma demanda que pode chegar a 3.100 MW, o que representa um déficit de 1.739 MW. Para evitar cortes desordenados, até 1.769 MW deverão ser desconectados de forma programada.
Atualmente, sete das 16 unidades termoelétricas operacionais estão fora de serviço por falhas ou manutenção, incluindo duas das três maiores do sistema. A geração termoelétrica responde, em média, por 40% da matriz energética nacional, ampliando a vulnerabilidade do sistema diante da indisponibilidade dessas usinas.
O incêndio remete ao desastre ocorrido em agosto de 2022 na base de superpetroleiros de Matanzas, considerado o maior acidente industrial recente do país, que deixou 17 mortos e destruiu quatro tanques de grande capacidade. Embora o episódio desta sexta-feira (13) não tenha alcançado a mesma magnitude, ele reforça as preocupações sobre a fragilidade da infraestrutura energética cubana.
Especialistas independentes apontam subfinanciamento crônico do setor elétrico como uma das causas da crise, estimando que seriam necessários entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para reabilitar a infraestrutura e restabelecer a estabilidade do fornecimento. O governo cubano, por sua vez, sustenta que as sanções dos Estados Unidos são o principal obstáculo ao acesso a recursos e tecnologia, classificando a política americana como uma “asfixia energética”.
Os apagões prolongados impactam diretamente a economia da ilha, que acumula retração superior a 15% desde 2020, segundo dados oficiais, além de alimentar protestos sociais que marcaram os últimos anos em Cuba.