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O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (19), horas antes do início das negociações nucleares com os Estados Unidos que estavam marcadas para a Suíça. A decisão foi anunciada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em comunicado transmitido por rádio marítimo, citando a recusa de Israel em deixar o sul do Líbano e a presença contínua de forças americanas na região.
“Já que a retirada de Israel do Líbano, a suspensão completa do bloqueio naval e a retirada das forças terroristas americanas do Golfo Pérsico e da região estão entre as principais condições do acordo entre Irã e Estados Unidos, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que essas condições sejam cumpridas”, afirmou o comunicado da Guarda Revolucionária.
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A mensagem também alertou navios que se aproximem da região: “Todos os navios são solicitados, por sua própria segurança, a não se aproximar do Estreito de Ormuz. Qualquer embarcação que desobedecer a esta diretiva será alvejada.”
EUA afirmam ter suspendido bloqueio
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou na quinta-feira (18) que havia suspendido formalmente o bloqueio de dois meses aos portos iranianos. No entanto, não ficou imediatamente claro o que Teerã quis dizer com a suspensão “não ser completa” – termo usado pela Guarda Revolucionária para justificar o bloqueio.
Cancelamento das negociações
O anúncio do fechamento ocorreu horas depois do adiamento das negociações nucleares entre EUA e Irã, que aconteceriam nesta sexta-feira (19) no complexo alpino de Burgenstock, na Suíça. O cancelamento foi comunicado pela chancelaria suíça, e a Casa Branca cancelou a viagem do vice-presidente JD Vance, que lideraria a delegação americana.
Horas antes do adiamento, a Casa Branca afirmou que “dificuldades logísticas” inviabilizaram os preparativos. O governo iraniano também avaliava o impacto da situação no Líbano, onde há tensões com a presença militar de Israel.
Pressão de linha-dura iraniana
Fontes ouvidas pela imprensa internacional informaram que alguns setores linha-dura do regime iraniano defendiam o boicote à cerimônia de assinatura do memorando enquanto as tropas israelenses não deixassem o sul do Líbano. Israel mantém forças na região desde o fim da guerra contra o Hezbollah e afirmou que permanecerá em uma “zona de segurança” enquanto suas necessidades de segurança assim o exigirem.
Acordo de dois dias
O novo bloqueio ocorre apenas dois dias após a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerã, que abriu um prazo de 60 dias para negociar o programa nuclear iraniano e previa o restabelecimento do trânsito de petróleo pelo Estreito de Ormuz. O documento foi assinado separadamente pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian na quarta-feira (17).
O acordo prevê que o Irã dilua suas reservas de urânio enriquecido sob supervisão internacional e se comprometa a não desenvolver armas nucleares.




















































