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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou nesta sexta-feira (7) a Cúpula de Líderes, em Belém (PA), fazendo um balanço dos 10 anos do Acordo de Paris e destacando a importância de uma governança global efetiva para enfrentar a crise climática.
“Não existe solução para o planeta fora do multilateralismo“, afirmou Lula durante a 3ª sessão temática da Mesa de Líderes, dedicada ao tema “10 Anos do Acordo de Paris: NDCs e Financiamento”. O presidente também criticou o ritmo atual das ações globais: “O mundo ainda está distante de atingir o objetivo do Acordo de Paris“.
Questionado sobre os esforços globais, Lula declarou: “Estamos realmente fazendo o melhor possível? A resposta é: ainda não“. O governo brasileiro reforçou a necessidade de implementação efetiva do acordo, com ênfase em financiamento climático adequado.
Entre as propostas apresentadas, Lula defendeu instrumentos de troca de dívida por ação climática e a tributação de super-ricos e corporações multinacionais para obter recursos. O presidente criticou que a maior parte dos fundos seja oferecida como empréstimos. “Não faz sentido, ético ou prático, demandar a países em desenvolvimento que paguem juros para combater o aquecimento global“, disse.
O chefe do Executivo também pediu o alinhamento das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) à Missão 1.5, compromisso assumido em Dubai, e citou o Mapa do Caminho Baku-Belém, aprovado em 2024, como exemplo de “vontade política”. O instrumento prevê US$ 1,3 trilhão anuais para mitigação e adaptação. “Sem meios de implementação adequados, exigir ambição dos países em desenvolvimento é injusto e irrealista“, declarou.
A Cúpula de Líderes foi marcada por ausências de peso, incluindo Estados Unidos e Argentina. O governo norte-americano se retirou do Acordo de Paris em janeiro de 2025, durante o 2º mandato de Donald Trump, sendo o país o 2º maior emissor de gases de efeito estufa do planeta. A Argentina também anunciou sua saída neste ano, sob o governo de Javier Milei, alinhando-se a políticas de incentivo aos combustíveis fósseis.
O Acordo de Paris foi assinado em 12 de dezembro de 2015, durante a COP21, na França, unindo quase todos os países em torno da meta de manter o aquecimento global bem abaixo de 2 °C, com esforços para limitá-lo a 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. É considerado um dos maiores tratados climáticos globais da história.