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Pesquisadores identificaram que o sildenafil — princípio ativo do Viagra — pode ajudar a reverter um tipo específico de perda auditiva hereditária, segundo um novo estudo publicado no Journal of Clinical Investigation. A descoberta sugere que o medicamento, tradicionalmente usado no tratamento da disfunção erétil, pode ter aplicações terapêuticas além do seu uso original.
A perda auditiva hereditária atinge cerca de 3 em cada 2.000 pessoas ao nascimento. O estudo destacou uma mutação no gene CPD, associada a um tipo de surdez conhecido como perda auditiva sensorineural, condição geralmente permanente. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Chicago, da Universidade de Miami e de instituições na Turquia.
“Este estudo é empolgante porque encontramos uma nova mutação genética ligada à surdez e, mais importante, identificamos um alvo terapêutico que pode mitigar essa condição”, afirmou Rong Grace Zhai, professor de doenças neurológicas da Universidade de Chicago e autor sênior do artigo.
O gene CPD atua na manutenção dos níveis do aminoácido arginina, responsável por estimular a produção de óxido nítrico — molécula essencial na transmissão de sinais pelo sistema nervoso. Quando essa via é comprometida, ocorre estresse oxidativo e morte das células ciliadas, estruturas fundamentais para a audição e o equilíbrio.
Para contornar esse processo, os pesquisadores testaram duas abordagens em moscas-das-frutas com mutações no CPD: suplementação de arginina e administração de sildenafil. Ambos os tratamentos apresentaram melhora na função auditiva dos animais. “Descobrimos que o CPD mantém o nível de arginina nas células ciliadas, permitindo uma rápida cascata de sinalização ao gerar óxido nítrico”, explicou Zhai. “Essas células são particularmente vulneráveis à perda dessa função.”
Atualmente, a perda auditiva sensorineural é tratada com aparelhos auditivos e implantes cocleares. No entanto, os resultados iniciais do estudo apontam para a possibilidade de uma terapia direcionada no futuro. “Encontramos uma via terapêutica promissora para esses pacientes”, disse Zhai. “É um exemplo de como podemos reaproveitar medicamentos já aprovados pela FDA para tratar doenças raras.”