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Amantes do café já conhecem os benefícios do estimulante matinal, que vão do aumento do bem-estar à prevenção de doenças como diabetes tipo 2, problemas cardíacos e até Parkinson. Agora, pesquisas recentes indicam que o consumo regular de café pode ainda adicionar anos saudáveis à vida, especialmente em pessoas com doenças mentais graves.
Diferente da idade cronológica, que contabiliza os anos vividos, o envelhecimento biológico mede a “idade” das células e órgãos. Ele é influenciado por fatores como genética, estilo de vida, exposições ambientais e dieta — e, segundo o estudo publicado esta semana no BMJ Mental Health, também pela quantidade de café consumido.
A pesquisa revela que três ou quatro xícaras de café por dia podem retardar o envelhecimento biológico em pessoas com transtornos mentais severos. Em comparação com aqueles que não consumiam café, os participantes que bebiam regularmente o estimulante ganharam até cinco anos biológicos a mais. Cada xícara considerou 240 ml, equivalente à dose diária recomendada de cafeína para adultos pela Food and Drug Administration (FDA).
O estudo sugere que o café atua reduzindo o estresse oxidativo, um desequilíbrio entre antioxidantes e radicais livres que danificam células e DNA. Esse processo pode afetar o comprimento dos telômeros, estruturas nas extremidades dos cromossomos responsáveis por proteger o material genético, funcionando como as pontas de plástico dos cadarços. Telômeros encurtados indicam envelhecimento celular e são mais comuns em pessoas com transtornos mentais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar.
Os pesquisadores também destacam que indivíduos com essas condições tendem a ter expectativa de vida menor, até 15 anos a menos do que a população sem transtornos. Para o estudo, mais de 400 adultos noruegueses com esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno depressivo maior com psicose foram divididos em quatro grupos de acordo com a quantidade de café ingerida. O comprimento dos telômeros foi medido a partir de amostras de sangue, mostrando diferenças significativas entre quem não consumia café, os que bebiam de uma a duas xícaras, três a quatro ou cinco ou mais por dia.
Os resultados indicam que três a quatro xícaras diárias aumentam os telômeros, enquanto o consumo de mais de cinco não trouxe efeitos adicionais sobre a idade biológica. Segundo os autores, os compostos antioxidantes e anti-inflamatórios presentes no café ajudam a preservar a integridade celular. “Os telômeros são altamente sensíveis tanto ao estresse oxidativo quanto à inflamação, destacando ainda mais como a ingestão de café poderia ajudar a preservar o envelhecimento celular em uma população cuja fisiopatologia pode predispô-la a uma aceleração do envelhecimento”, explicam.
Apesar dos benefícios, os pesquisadores alertam que exagerar no consumo pode ser prejudicial. “Consumir mais do que a quantidade diária recomendada de café também pode causar danos celulares e encurtamento dos telômeros através da formação de espécies reativas de oxigênio”, escreveram.