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A Justiça condenou a influenciadora Aline Bardy Dutra, conhecida nas redes sociais como “Esquerdogata”, pelos crimes de injúria racial e desacato contra policiais militares em Ribeirão Preto (SP). A sentença é da juíza Carolina Moreira Gama, da 2ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, e foi proferida na segunda-feira (21).
A influenciadora foi absolvida da acusação de resistência por insuficiência de provas. Cabe recurso da decisão, e Aline poderá recorrer em liberdade.
A pena
A juíza fixou pena de 1 ano e 4 meses de reclusão e 6 dias-multa por injúria racial, e de 4 meses de detenção por desacato, em regime inicial aberto.
As penas privativas de liberdade foram substituídas por prestação de serviços à comunidade e pela obrigação de se submeter a tratamento contra o alcoolismo, com comprovação bimestral ao juízo. A magistrada não fixou indenização aos policiais, mas registrou que a sentença pode ser usada por eles para pedir reparação em outra ação cível.
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O caso
O episódio ocorreu na madrugada de 25 de outubro de 2025, no cruzamento das ruas Florêncio de Abreu e Cerqueira César, no Centro de Ribeirão Preto. Segundo a denúncia, policiais militares realizavam fiscalização de trânsito quando foram abordados pela influenciadora, que passou a questionar os critérios utilizados pelos agentes e a filmar a atuação com o celular.
De acordo com os depoimentos acolhidos pelo juízo, durante a discussão Aline afirmou que a situação envolvia “um preto querendo f* outro preto”, dirigindo-se a um dos agentes, que é negro. Após receber voz de prisão, passou a proferir outras ofensas. Um dos policiais relatou em juízo que, após a fala, confirmou com o colega se ele também havia ouvido a expressão e deu voz de prisão por injúria racial.
Em interrogatório, a influenciadora reconheceu a fala, mas sustentou que havia sido mal interpretada. Disse que pretendia se referir a um contexto de atuação policial contra pessoas vulneráveis e afirmou que os agentes deveriam defender “os seus”. Ela também admitiu ter se excedido ao tentar dar uma “carteirada”.
Capacidade reduzida
A juíza reconheceu que Aline era semi-imputável no momento dos fatos, o que significa que ela tinha capacidade reduzida — mas não totalmente perdida — de entender que a conduta era ilegal.
A conclusão tem base em laudo pericial que apontou dependência de álcool associada a transtorno de personalidade, concluindo que ela estava intoxicada e com a autodeterminação prejudicada. Como o perito registrou que ela conhecia o efeito do álcool sobre si, a semi-imputabilidade não anulou a condenação, mas reduziu as penas em um terço.
A defesa informou que recebe a sentença com equilíbrio e que tem certeza de que a decisão será reformada em instâncias superiores, alegando que a influenciadora está indignada. Aline é professora da rede municipal de Ribeirão Preto, mas está afastada do cargo sem remuneração desde julho de 2024 e responde a processo administrativo.



































































