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🧡 Ver Ofertas na ShopeeA Assembleia Nacional da Venezuela aprovou por unanimidade, em primeira votação, um projeto de Lei de Anistia que poderá beneficiar centenas de pessoas presas por participação em protestos ou críticas a figuras públicas. A lei ainda precisa passar por uma segunda discussão, em data não definida, e prevê a devolução de bens, o cancelamento de medidas restritivas e a possibilidade de retorno ao país para aqueles que foram forçados a sair.
O projeto, composto por cerca de 20 artigos, foi apresentado pela presidenta interina Delcy Rodríguez e recebeu apoio de 277 parlamentares, em sua maioria governistas, segundo confirmou o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez. A iniciativa reconhece que pessoas de diferentes filiações políticas, e até cidadãos sem militância, foram submetidas a processos penais por atos ligados ao exercício de direitos ou manifestações políticas. A lei abrangeria crimes como instigação, resistência à autoridade, rebelião, traição e porte ilegal de armas, desde que tenham ocorrido no contexto de protestos realizados entre 1999 e 2026, incluindo manifestações de 2007, 2014, 2017, 2019 e 2024.
Durante a sessão, Delcy Rodríguez afirmou: “O processo de consulta tem que ser profundo, árduo. Não tenhamos medo de falar com todas e todos, com quem queira nos dar um testemunho ou uma proposta”.
Rodríguez destacou ainda que o projeto não consiste em uma lista de nomes, evitando exclusões, e pediu diálogo com familiares de presos, os próprios detentos e vítimas: “Que não fique uma vítima sem ser ouvida”. Ela finalizou pedindo celeridade na tramitação: “Não temos muito tempo. Celeridade deve ser nossa divisa nesta hora”.
Em referência a Hugo Chávez, Rodríguez lembrou: “Ele pediu perdão e perdoou. Nós pedimos perdão e temos que perdoar também. Digo com clareza: não gosto de presos. Mas às vezes é necessário devido aos códigos penais ou à realidade política da sociedade”.
A lei prevê exclusões para crimes graves, como violações de direitos humanos, assassinato, corrupção, narcotráfico e atos que tenham causado morte ou lesões graves. Dependendo das circunstâncias, também poderá beneficiar alguns juízes, promotores e funcionários envolvidos em processos relacionados a protestos.
A aprovação ocorre após a saída de Nicolás Maduro do poder e a captura do ex-presidente por forças norte-americanas no início de janeiro. A sessão na Assembleia Nacional foi marcada por clima de consenso, sem os habituais embates entre governo e oposição. A oposição saudou a iniciativa e pediu a libertação de presos políticos, com alguns parlamentares moderados vendo a lei como oportunidade de reconciliação nacional.
Autoridades venezuelanas informam que mais de 600 pessoas já foram libertadas gradualmente, embora o Foro Penal tenha verificado apenas 383 excarcerados, com cerca de 700 ainda privados de liberdade em fevereiro. Os beneficiados continuam sujeitos a restrições políticas e de expressão.
O projeto de Lei de Anistia para a Convivência Democrática ocorre em um contexto de transformação política e econômica, com sinais de estabilização da economia, recuperação das exportações de petróleo e liberação parcial de fundos do Banco Central controlados pelos Estados Unidos. A presidenta interina tem cumprido acordos internacionais no setor petrolífero, contribuindo para o clima político favorável à medida.
A lei ainda precisa passar por consulta pública e segunda votação parlamentar, etapas previstas pela Constituição venezuelana antes de sua promulgação. Organizações da sociedade civil, como o Foro Penal, pedem divulgação do texto completo e alertam que a eficácia dependerá de transparência e apoio popular.






















































