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“Não vão chorar no cemitério”, diz Nunes sobre ministros do STF e liberação de Uber Moto em SP

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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta quarta-feira (22) que o Supremo Tribunal Federal (STF) “não vai chorar no cemitério” pelas mortes que, segundo ele, ocorrerão em acidentes de trânsito caso seja mantida a decisão judicial que obriga a prefeitura a liberar o serviço de transporte de passageiros por aplicativo em motocicletas, como o Uber Moto, na capital.

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A declaração foi dada após o lançamento do novo estúdio da BandNews TV, na Zona Sul da cidade, ao comentar a decisão da Justiça que determinou o credenciamento da empresa para operar a modalidade.

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“Quando acontecer o acidente, a morte, as amputações, as pessoas ficarem paraplégicas, não vai ter ninguém [do STF] chorando a perda das pessoas no cemitério, porque infelizmente vão morrer”, disse Nunes.

O prefeito criticou decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que suspenderam parte das exigências impostas pelo município para regulamentar o serviço. Segundo ele, o Judiciário tem interferido em políticas públicas estaduais e municipais.

“É um debate que precisa ser feito: o Judiciário sempre interferir nas políticas públicas dos estados e municípios. Eles vão lá, dão uma canetada e fica a gente com essa dor, com esse sofrimento, com essa preocupação”, declarou.

Nunes afirmou que o município regulamentou a atividade conforme prevê a legislação, mas que as exigências vêm sendo derrubadas pela Suprema Corte. “Lembrando que eu fiz a regulamentação, aprovada pela Câmara. O ministro Alexandre de Moraes derrubou quase tudo o que a gente regulamentou. A lei fala que é para a cidade regulamentar. A gente regulamenta e o ministro derruba.”

Na terça-feira (21), a Justiça deu prazo de 48 horas para a prefeitura credenciar a Uber, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. A administração municipal informou que vai recorrer da decisão.

Nunes citou dados de mortalidade no trânsito para defender sua posição: “Só no ano passado, 475 pessoas morreram em acidentes de moto na cidade de São Paulo”. Ele também apontou o impacto nos atendimentos de reabilitação no Instituto Lucy Montoro: “De todos os casos que receberam lá, 55% eram de acidente de moto. Dessas pessoas, 58% ficaram paraplégicas e 20% tiveram amputação. Tudo por acidente de moto”.

Caso a prefeitura perca a disputa judicial, o prefeito afirmou que a gestão municipal terá de reforçar a rede pública de saúde: “A única coisa é que vamos ter que ampliar o sistema de saúde, porque teremos muitos acidentes, muitas mortes, muitos amputados, muitos paraplégicos”.

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