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Os trabalhadores da montadora Hyundai na Coreia do Sul aprovaram, nesta quarta-feira (24), uma greve contra o plano da empresa de introduzir robôs humanoides em sua linha de produção. A medida, que recebeu o apoio de 87% dos 39.668 membros do sindicato, marca um dos primeiros grandes movimentos trabalhistas globais motivados diretamente pelo avanço da automação industrial.
Conforme relatado pelo jornal Financial Times, o sindicato rejeita categoricamente a implementação do Atlas, um robô humanoide desenvolvido pela Boston Dynamics (subsidiária da própria Hyundai). A montadora planeja implantar as unidades em suas fábricas de forma massiva a partir de 2028.
Os motivos do impasse
O estopim para o movimento ocorreu após a Hyundai anunciar, em fevereiro, um plano estratégico para produzir cerca de 30 mil robôs humanoides por ano entre 2026 e 2028. Os trabalhadores argumentam que a automação desenfreada vai substituir postos de trabalho e reduzir a carga horária operacional, impactando diretamente os salários.
Além do veto à IA e aos humanoides, o sindicato apresentou uma pauta com as seguintes exigências:
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Aumento salarial: Reajuste no salário-base mensal.
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Participação nos lucros: Bônus equivalente a 30% do lucro líquido global da Hyundai.
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Previdência: Extensão da idade de aposentadoria de 60 para 65 anos.
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Governança: Maior poder de veto nas decisões corporativas sobre inteligência artificial e automação.
Desde maio, foram realizadas 11 rodadas de negociações salariais, todas sem avanços significativos. O Comitê Central de Relações Trabalhistas da Coreia do Sul deve decidir nesta quinta-feira (25) se encerra a mediação oficial. Caso a mediação seja suspensa, a greve ganha amparo legal e a paralisação das linhas de montagem pode começar já no dia 30 de junho.
Contexto financeiro e o precedente da Samsung
A direção da Hyundai argumenta que a modernização tecnológica é crucial para o futuro da companhia. A montadora vem enfrentando pressões financeiras após registrar uma queda de 16% no lucro operacional no segundo trimestre de 2025, resultado do impacto das tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre veículos e componentes automotivos importados da Coreia do Sul.
Por outro lado, os trabalhadores ganharam força nas negociações após um precedente recente no país: a Samsung Electronics cedeu à pressão de seus funcionários e concordou em distribuir 10,5% de seu lucro operacional em forma de bônus, servindo de combustível para as demandas atuais da categoria automobilística.
















































































