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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (9) que não estava “feliz” com o ataque aéreo israelense contra o Catar, no qual Israel tentou assassinar os líderes políticos do grupo militante palestino Hamas.
Trump disse à imprensa que daria uma declaração completa na quarta-feira, mas já se mostrou muito insatisfeito com o ataque. “Não estou feliz”, disse Trump ao chegar a um restaurante em Washington. “Não é uma boa situação, mas direi o seguinte: queremos que os reféns voltem, mas não estamos entusiasmados com a forma como isso se desenrolou hoje.”
Ele disse estar “muito insatisfeito com isso, muito insatisfeito com todos os aspectos”. Mais cedo, Trump havia dito que o ataque “foi uma decisão do primeiro-ministro Netanyahu, não minha”.
“Bombardear unilateralmente o Catar, uma nação soberana e um aliado próximo dos Estados Unidos, que trabalha arduamente e se arrisca bravamente conosco para negociar a paz, não contribui para os objetivos de Israel nem dos Estados Unidos. No entanto, eliminar o Hamas, que se beneficiou da miséria daqueles que vivem em Gaza, é um objetivo louvável”, afirmou Trump.
Israel lançou um ataque na terça-feira contra a alta cúpula do Hamas, que estava reunida no Catar. O Hamas confirmou que seus principais líderes sobreviveram, mas admitiu a morte de dois membros de menor escalão e três guarda-costas. O Catar informou que um integrante de suas forças de segurança interna morreu e outros ficaram feridos.
O ataque ocorreu enquanto os líderes do Hamas em Doha, capital do Catar, avaliavam uma nova proposta de cessar-fogo apresentada por Washington. A Casa Branca afirmou que Israel informou os EUA antes de realizar o ataque e que, por sua vez, o governo americano avisou os catarianos.
O primeiro-ministro do Catar, Mohammed Bin Abdulrahman al Thani, condenou o ataque veementemente, classificando a ação como uma “violação não apenas das leis internacionais, mas de toda a moral”. Al Thani alertou que o Catar “se reserva o direito de responder com firmeza” ao que descreveu como uma “agressão flagrante”, e sublinhou a gravidade da situação, já que seu país é mediador e anfitrião das negociações.
Durante uma coletiva de imprensa, Al Thani questionou a legitimidade moral do ataque: “Somos um Estado mediador em negociações formais (…) Somos anfitriões de uma delegação de um Estado que envia mísseis contra outra delegação de outro Estado com o qual supostamente estão negociando, como isso pode ser moralmente aceitável”, expressou o primeiro-ministro. Ele reiterou que o Catar não tolerará qualquer violação de sua soberania e está pronto para responder “de maneira firme” a qualquer ameaça.
Al Thani afirmou que o ataque “só pode ser uma ameaça” e que a forma como foram tratados aponta para um padrão conhecido. Ele negou que os Estados Unidos tenham alertado o Catar antes do ataque, garantindo que as autoridades americanas só notificaram seu governo dez minutos depois das explosões.
O premiê catariano descreveu a conduta de Israel como “sistemática”, acusando o país de impedir um acordo de paz, apesar das negociações em andamento. “A mensagem que fica clara é quem está fechando a porta para a paz”, afirmou, pedindo à comunidade internacional que reconheça quem age como um “bully” na região.
De acordo com Al Thani, as conversas de paz estavam “a caminho” quando o ataque ocorreu. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al Ansari, também desmentiu ter recebido aviso prévio de Washington, confirmando que a notificação chegou “enquanto soavam as explosões”.
(Com informações de AFP, AP, Reuters e EFE)






















































