Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
Autoridades russas elevaram o tom das críticas aos países ocidentais nesta terça‑feira (17), ao afirmar que a Rússia poderia mobilizar sua marinha de guerra para impedir que potências europeias apreendam embarcações e até retaliar contra o transporte marítimo europeu em meio a tensões crescentes sobre a chamada ”frota fantasma” russa.
Em declaração ao veículo russo Argumenty i Fakty, Nikolai Patrushev, conselheiro do Kremlin e presidente da Junta Marítima da Rússia, disse que, se Moscou não reagir com firmeza às ações de países como Reino Unido, França e nações bálticas, estes poderão tentar bloquear o acesso da Rússia aos mares, especialmente no Atlântico.
Patrushev qualificou como “pirataria ocidental” as medidas destinadas a restringir o movimento de navios russos — especialmente petroleiros — e defendeu a presença permanente de forças navais russas em áreas marítimas distantes do país, capazes de conter qualquer ameaça externa.
Confronto em alto mar
O alerta ocorre em meio a uma crescente pressão internacional sobre a chamada “frota fantasma” — uma rede de navios petroleiros antigos, de propriedade opaca e suspeitos de transportar petróleo russo para contornar sanções impostas por União Europeia, Estados Unidos e países do G7 desde a invasão da Ucrânia em 2022.
A União Europeia atualmente proíbe a entrada em portos de dezenas de embarcações suspeitas de integrarem essa frota, enquanto os Estados Unidos já listaram centenas de navios em medidas punitivas, segundo dados oficiais.
Especialistas em comércio marítimo afirmam que essa estratégia inclui o uso de documentos falsos, bandeiras de conveniência e a desativação de sistemas de identificação para desaparecer dos radares em alto mar, dificultando o rastreamento e a aplicação de sanções.
Reações internacionais
A pressão sobre esses navios também tem levado a ações práticas: recentemente um petroleiro suspeito de integrar a frota clandestina foi liberado na França após pagamento de uma multa significativa, em meio a uma série de apreensões e inspeções em águas europeias.
Países da Otan e integrantes da União Europeia têm intensificado medidas para disrupção e controle dessas embarcações, incluindo inspeções detalhadas em estreitos e canais estratégicos, parte de um esforço coordenado para reforçar a efetividade das sanções.
Riscos de escalada
Os comentários de Patrushev também fazem referência a um suposto plano da **aliança militar Ocidente (OTAN) para bloquear a Rússia navalmente — um cenário que Moscou classifica como ilegal sob o direito internacional e que, segundo sua liderança, justificaria uma resposta militar direta.
A escalada verbal ocorre em um momento em que países ocidentais já impuseram dezenas de milhares de sanções contra Moscou desde o início da guerra na Ucrânia, visando isolar economicamente o país e reduzir os recursos que financiam o conflito.