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Um novo vídeo que circula entre parlamentares trouxe outro ângulo da confusão ocorrida na tarde desta terça-feira (9) na Câmara dos Deputados, expondo não apenas a retirada à força do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), mas também o tumulto envolvendo jornalistas e a interrupção repentina da transparência institucional. A crise ganhou contornos ainda mais graves após a expulsão da imprensa e o corte simultâneo do sinal da TV Câmara. Em determinado momento, é possível ver um cinegrafista chutando o colega durante o tumulto.
A confusão começou quando Glauber Braga ocupou a cadeira do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em protesto contra a decisão de pautar para esta quarta-feira (10) a votação de seu processo de cassação, que será analisado junto com os casos de Carla Zambelli (PL-SP), Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Assim que o deputado subiu à Mesa Diretora, policiais legislativos fecharam o acesso ao plenário e expulsaram jornalistas do local. A TV Câmara cortou a transmissão no mesmo instante, tanto no canal oficial quanto no YouTube, substituindo o conteúdo ao vivo por uma tela com a mensagem: “Voltaremos em instantes”.
A interrupção, feita no momento mais tenso da sessão, levantou questionamentos sobre quem ordenou o corte e se houve tentativa de impedir o registro audiovisual da ação policial. Até agora, a presidência da Câmara não confirmou quem determinou a suspensão nem qual protocolo justificou a medida.
Com a transmissão oficial fora do ar, imagens gravadas por deputados passaram a circular nas redes sociais, mostrando policiais legislativos segurando Glauber pelos braços e o retirando da cadeira da presidência. Os registros trazem uma perspectiva alternativa ao que o público pôde acompanhar ao vivo, revelando a intensidade da abordagem.
Em um dos vídeos, é possível ver parlamentares gritando durante a ação, enquanto o deputado é conduzido para fora do plenário.
A confusão não se limitou ao plenário. No Salão Verde, área que conecta o plenário à circulação principal da Câmara, dezenas de profissionais da imprensa foram impedidos de permanecer próximos ao local durante a retirada de Glauber. Policiais legislativos abriram caminho à força e, no avanço, repórteres foram derrubados no chão, segundo relatos de testemunhas.
O espaço ficou tomado por jornalistas tentando registrar a movimentação e parlamentares que tentavam acompanhar o desdobramento. O clima de hostilidade evidenciou um ambiente de tensão crescente na Casa.
A expulsão da imprensa, a interrupção da transmissão oficial e a condução policial de um deputado dentro do plenário reacenderam debates sobre transparência pública e o papel fiscalizador da mídia no Congresso. A oposição acusou a mesa diretora de tentar “esconder” a ação da polícia legislativa, enquanto aliados de Hugo Motta sustentam que a medida seguiu protocolos de segurança.
Paralelamente, o vídeo divulgado pelos parlamentares se tornou a principal fonte de informação visual sobre o episódio, reforçando a percepção de que o incidente ganhou proporções maiores do que a Câmara pretendia revelar no momento da confusão.
Com a votação das quatro cassações prevista para esta quarta-feira (10), a crise política e institucional promete novos capítulos — agora sob os holofotes que a Casa tentou, ainda que momentaneamente, desligar.