A Justiça da Itália acolheu nesta quinta-feira (16) um novo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli apresentado pelo governo brasileiro. Desta vez, a solicitação está relacionada à condenação por porte ilegal de arma de fogo. A informação foi confirmada pelo embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza. Ainda cabe recurso contra a decisão.
A nova medida se soma a outro pedido de extradição já aceito anteriormente pelas autoridades italianas, referente à condenação de 10 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal no caso da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça.
No caso mais recente, Zambelli foi condenada pelo STF por perseguir, armada, o jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo em 2022. O episódio aconteceu na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, após troca de provocações durante um ato político no bairro dos Jardins, na capital paulista.
Segundo a decisão judicial, a ex-parlamentar sacou a arma e perseguiu Araújo pela rua e até o interior de uma lanchonete, onde ele buscou abrigo. A condenação marcou a segunda sentença definitiva de Zambelli no STF.
Somadas, as penas da ex-deputada ultrapassam 15 anos de prisão. Em maio de 2025, ela já havia sido condenada a 10 anos de prisão e ao pagamento de R$ 2 milhões por danos coletivos no processo relacionado à invasão do sistema do CNJ.
Zambelli deixou o Brasil em 5 de junho de 2025, viajando inicialmente para os Estados Unidos e, em seguida, para a Itália. A chegada ao território italiano ocorreu logo após a emissão da ordem de prisão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Magistrados italianos apontaram que a ex-deputada aproveitou o intervalo entre a decisão judicial brasileira e a inclusão de seu nome no alerta vermelho da Interpol para entrar no país sem ser detectada nos sistemas migratórios.
Desde julho do ano passado, Zambelli está presa em uma das maiores unidades prisionais femininas da Itália, destinada a detentas em regimes de média e alta segurança. A Justiça italiana também destacou a existência de uma suposta rede de apoio que teria ajudado a ex-parlamentar a permanecer foragida por semanas, argumento usado para negar pedidos de liberdade apresentados por sua defesa.