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Síria Prende General Responsável por Condenações à Morte no Regime de Assad

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As novas autoridades da Síria prenderam nesta quinta-feira (26) um alto responsável do regime deposto em Tartús, no oeste do país, durante uma operação marcada por violentos confrontos que deixaram ao menos 14 mortos na quarta-feira (25).

O general Mohamed Kanjo Hassan, chefe da justiça militar sob a direção de Bashar al-Assad e “responsável por numerosas condenações à morte” na prisão de Saydnaya, perto de Damasco, foi preso na localidade de Khirbet al Ma’zah, junto com 20 membros de sua guarda pessoal, conforme informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Mohamad Kanjo Hassan assinou as condenações à morte de “milhares de pessoas em julgamentos sumários”, indicou à agência de notícias AFP Diab Seria, cofundador da Associação de Detidos e Desaparecidos da prisão de Saydnaya. Sua associação estimou em cerca de 150 milhões de dólares a fortuna acumulada às custas das famílias dos detidos, que pagavam para obter informações sobre seus entes queridos, mas nunca as recebiam.

A prisão de Mohamad Kanjo Hassan, “um dos criminosos do regime de Assad, representa um passo importante para a obtenção de justiça e a perseguição dos criminosos”, celebrou no X a coalizão síria da oposição, que agrupa as principais formações políticas no exílio.

Desde a queda do regime de Assad em 8 de dezembro, Mohamed Kanjo Hassan é o oficial de mais alto posto cuja detenção foi anunciada.

Bashar al-Assad fugiu para a Rússia após uma ofensiva liderada por islamistas lhe tirar o controle de cidade após cidade, até a queda de Damasco, pondo fim a cinco décadas de governo de seu clã e provocando celebrações na Síria e fora do país. A ofensiva pegou Assad e seu círculo íntimo de surpresa, e em sua fuga do país, ele levou consigo apenas um punhado de confidentes. Muitos outros ficaram para trás, incluindo seu irmão Maher al-Assad, que, segundo uma fonte militar síria, fugiu para o Iraque antes de se dirigir à Rússia.

Acredita-se que outros colaboradores do regime tenham se refugiado em suas localidades de origem, em regiões alauitas, que um dia foram o bastião do clã Assad.

De acordo com a Associação de Detidos e Desaparecidos da Prisão de Saydnaya, Kanjo Hassan dirigiu o tribunal militar de campanha da Síria entre 2011 e 2014, os três primeiros anos da guerra que começou com a repressão de Assad às manifestações democráticas inspiradas na Primavera Árabe. Mais tarde, foi promovido a chefe da justiça militar em todo o país.

O complexo de Saydnaya, palco de execuções extrajudiciais, torturas e desaparecimentos forçados, personificava as atrocidades cometidas contra os opositores de Assad. O destino de dezenas de milhares de prisioneiros e desaparecidos continua sendo um dos legados mais dolorosos de seu governo.

Ódio ou Vingança

Durante a ofensiva que precipitou o fim do regime de Assad, os rebeldes abriram as portas das prisões e centros de detenção em todo o país, libertando milhares de pessoas. No centro de Damasco, familiares de alguns dos desaparecidos penduraram cartazes com fotos de seus entes queridos, na esperança de que, uma vez que Assad tenha desaparecido, possam finalmente descobrir o que aconteceu com eles.

As potências mundiais e as organizações internacionais pediram que sejam estabelecidos urgentemente mecanismos de prestação de contas.

Dado que o poder judiciário ainda não foi reorganizado desde a queda de Assad, não está claro como os detidos suspeitos de crimes relacionados com as antigas autoridades serão julgados.

Alguns membros da comunidade alauita temem que, sem Assad, corram o risco de sofrer ataques de grupos sedentos de vingança ou movidos por ódio sectário.

Na quarta-feira (25), estouraram protestos em várias regiões da Síria, incluindo Qardaha, cidade natal de Assad, após a circulação de um vídeo que mostrava um ataque contra um santuário alauita.

O OSDH informou que um manifestante morreu e outros cinco ficaram feridos “depois que as forças de segurança… abriram fogo para dispersar” a multidão na cidade central de Homs.

Queremos a Paz

As autoridades de transição designadas pelo HTS afirmaram em um comunicado que o ataque ao santuário ocorreu no início deste mês, enquanto o Ministério do Interior declarou que ele foi realizado por “grupos desconhecidos” e que a republicação do vídeo serviu para “incitar as hostilidades”.

Nesta quinta-feira (26), o Ministério da Informação proibiu a publicação ou distribuição de “qualquer conteúdo ou informação de caráter sectário com o objetivo de semear divisão e discriminação”.

Em uma das manifestações de quarta-feira (25) pelo vídeo, grandes multidões gritaram slogans como “Alauitas, sunitas, queremos a paz”.

Assad se apresentou por muito tempo como o protetor dos grupos minoritários da Síria, de maioria sunita, embora seus detratores afirmassem que ele manipulava as divisões sectárias para se manter no poder.

(Com informações da AFP)

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