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O preço do petróleo disparou nos mercados internacionais neste domingo (19), impulsionado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O barril do tipo West Texas Intermediate (WTI) atingiu US$ 90,17, com alta superior a 7%, enquanto o Brent do Mar do Norte avançou 6,5%, chegando a US$ 96,27.
A reação do mercado foi imediata após a notícia de que a Marinha dos Estados Unidos interceptou e capturou um navio de carga iraniano no Golfo de Omã. O episódio aumentou os temores de uma possível escalada militar na região, considerada estratégica para o abastecimento global de energia.
O presidente Donald Trump afirmou que o cargueiro, identificado como TOUSKA, desrespeitou alertas emitidos pelo destróier USS Spruance. Segundo ele, a embarcação foi detida após um disparo que inutilizou sua sala de máquinas. “Neste momento, os fuzileiros navais dos Estados Unidos têm custódia total do navio e estão verificando o que ele transportava”, declarou o presidente em uma rede social.
A resposta do Irã veio rapidamente. O comando militar do país acusou os Estados Unidos de violar o cessar-fogo firmado no início de abril e alertou que haverá retaliação. O incidente ocorre poucos dias antes do fim da trégua entre Washington e Teerã, elevando a tensão não apenas no setor energético, mas também nos mercados financeiros globais.
A situação se agravou com o fechamento virtual do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás liquefeito transportado por via marítima no mundo. A interrupção da navegação, somada às ameaças de represálias iranianas, levou investidores a reajustar rapidamente suas posições, prevendo uma possível redução na oferta de petróleo no curto prazo.
A incerteza aumentou ainda mais após o Irã rejeitar a retomada de negociações com os Estados Unidos. O governo iraniano afirmou que não participará de novos diálogos enquanto houver bloqueio naval americano em seus portos.
Por sua vez, Trump reiterou que enviará uma delegação ao Paquistão na tentativa de reabrir as negociações. Ele também advertiu que, caso o Irã não aceite as condições propostas, novos ataques contra infraestrutura estratégica iraniana poderão ser autorizados.
O cenário de tensão provocou uma busca por ativos considerados mais seguros. O dólar se valorizou frente ao euro e ao iene, enquanto os futuros das bolsas nos Estados Unidos e na Europa registraram queda. O índice S&P 500 recuou, ao mesmo tempo em que aumentou a demanda por títulos do Tesouro americano, cujos rendimentos atingiram os níveis mais baixos em semanas.
Nos últimos dias, os mercados já vinham apresentando forte volatilidade. Na semana passada, a indicação de que o Irã poderia reabrir o Estreito de Ormuz havia impulsionado as bolsas e reduzido os preços do petróleo. No entanto, o novo fechamento da rota e o confronto naval mudaram drasticamente as expectativas.
Analistas avaliam que, enquanto não houver clareza sobre a continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã, a volatilidade deve persistir. Há ainda o risco de novas altas no preço do petróleo caso o bloqueio do estreito se prolongue ou os conflitos se intensifiquem.
Especialistas também alertam que a crise no Golfo tem impactos globais, afetando não apenas o fornecimento de petróleo, mas também o transporte de fertilizantes, gás natural e ajuda humanitária.
(Com informações de AFP e Reuters)
