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O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi se pronunciou pela primeira vez após vir a público a acusação de assédio sexual envolvendo duas mulheres. O magistrado é alvo de apurações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no Supremo Tribunal Federal (STF) e no próprio STJ.
Em declaração divulgada nesta semana, Buzzi afirmou estar profundamente abalado com as acusações e disse que o silêncio inicial se deu em razão do impacto emocional e de sua condição de saúde. Segundo ele, o período coincidiu com uma internação hospitalar, durante a qual esteve sob acompanhamento cardíaco e psicológico. “Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado”, declarou.
O ministro afirmou que as denúncias têm provocado sofrimento à sua família e ao seu círculo de convivência. “Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e à convivência. Creio que nos procedimentos já instaurados demonstrarei minha inocência”, disse, acrescentando confiar no andamento das investigações.
Na manifestação, Buzzi pediu cautela na análise das acusações e recorreu ao que chamou de “coerência biográfica”. Ele destacou sua trajetória pessoal e profissional, afirmando ter quase 70 anos, carreira ilibada e casamento de longa duração. “Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou 3 filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado”, escreveu.
O ministro afirmou ainda não compreender as razões das acusações, que classificou como um episódio de “grande sofrimento”, e disse que a situação tem causado desgaste à imagem do tribunal. Segundo Buzzi, ele está “submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar”.
Marco Buzzi é investigado por suposta importunação sexual contra uma jovem de 18 anos. As apurações seguem em andamento nas instâncias competentes.
Veja a íntegra da carta de Marco Buzzi
Caros colegas,
Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado.
De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.
Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência.
Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.
Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.
Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura.
Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.
Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar.
De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida. Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos.