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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (12) que se reunirá na segunda-feira (14) com o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, em Washington. Segundo Trump, o futuro dos deportados enviados ao país centro-americano dependerá exclusivamente do governo salvadorenho.
A declaração vem após a deportação, no dia 15 de março, de mais de 200 pessoas para El Salvador, onde estão atualmente detidas no presídio de segurança máxima do país. A medida faz parte de um acordo pelo qual os Estados Unidos repassam US$ 6 milhões ao governo de Bukele.
“Ansioso para encontrar o presidente Bukele, de El Salvador, na segunda-feira”, escreveu Trump na rede Truth Social. “O presidente Bukele generosamente aceitou, sob custódia de seu país, alguns dos inimigos estrangeiros mais violentos do mundo, especialmente dos Estados Unidos. Esses bárbaros agora estão sob custódia exclusiva de El Salvador (…) e seu futuro está nas mãos do presidente e de seu governo. Nunca mais ameaçarão nossos cidadãos!”, completou.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, adiantou que Trump e Bukele conversarão sobre a cooperação salvadorenha na área migratória. “No dia 14 de abril, o presidente Trump receberá o presidente Bukele em uma visita oficial de trabalho. Eles discutirão o uso da prisão de segurança máxima de El Salvador para abrigar membros de gangues como a MS-13 e a Tren de Aragua”, afirmou Leavitt em coletiva.
Segundo ela, a atuação de El Salvador tem se tornado um “modelo” de cooperação com os Estados Unidos no controle da imigração ilegal.
Trump celebrou a “estreita colaboração” entre os dois países e disse que ambos compartilham o mesmo objetivo: “erradicar organizações terroristas e construir um futuro de prosperidade”.
As declarações de Trump surgem uma semana após ele voltar a defender que os EUA usem prisões de El Salvador para manter cidadãos norte-americanos condenados por crimes violentos. Em fevereiro, o presidente já havia dito que estava “analisando” a possibilidade de deportar esses criminosos como parte de uma política de segurança pública. A proposta foi feita após Bukele oferecer a “terceirização” parcial do sistema penitenciário salvadorenho por uma “tarifa relativamente baixa”.
A partir desse diálogo, os dois países firmaram acordos para a detenção de “imigrantes ilegais violentos de qualquer nacionalidade” e a repatriação de “todos os membros de gangues salvadorenhos” detidos nos Estados Unidos.
Em março, Bukele anunciou a chegada de 17 membros extremamente perigosos das gangues MS-13 e Tren de Aragua a El Salvador. Eles foram levados, em operação conjunta, para o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), presídio de segurança máxima em Tecoluca, onde devem ficar presos por pelo menos um ano.
“Isso vai nos ajudar a concluir investigações de inteligência e a capturar os últimos remanescentes da MS-13, incluindo seus membros antigos e novos, dinheiro, armas, drogas, esconderijos, colaboradores e financiadores”, disse Bukele. O presidente salvadorenho recebeu elogios do governo dos EUA e foi chamado pelo senador norte-americano Marco Rubio de “o líder mais forte em segurança da região” e “um grande amigo dos Estados Unidos”.
A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, visitou recentemente o CECOT, que tem capacidade para 40 mil detentos e se tornou o principal símbolo da política antipandilhas do governo Bukele.
Desde que assumiu a presidência, em 2019, Bukele promoveu uma drástica redução nos homicídios em El Salvador. Em 2023, o país registrou apenas 154 assassinatos — número muito inferior aos mais de 2.390 casos registrados em 2019. Dados da ONU confirmam que a taxa de homicídios em 2024 caiu para 1,9 por 100 mil habitantes, tornando El Salvador o país mais seguro do hemisfério ocidental, após anos como o mais violento do mundo.